Quem sou eu
- Conversando sobre Alzheimer
- Meu nome é Vera Helena. Meu interesse e objetivo consiste em conversar e trocar impressões e experiências sobre Alzheimer. Minha mãe, (foto acima) é portadora desta patologia e acho importante que a troca exista no sentido de acrescentar conhecimentos e gerar espaços para desabafos entre cuidadores, assim como eu. Dentro do que me proponho oferecer, sinto - me capaz de abordar sobre cuidadores, suas relações com o portador e familiares e sobre o cotidiano que envolve a todos os implicados nessa causa. Para saber mais, em cada segmento há uma justificativa desenvolvida com o objetivo de ajudá-lo. Julgo oportuno mencionar que passado algum tempo, percebo que hoje possuo um trajeto impregnado de experiências diversas pois os desafios acontecem todos os dias. A necessidade de dialogar com pares aumenta a cada dia, pois há momentos em que a solidão e a impotência invadem minha vida! Que tal olharmos para este tema com mais proximidade e conversarmos sobre Alzheimer? Pensem nisso e sobre isso...
sábado, 6 de outubro de 2012
Caminhos, descaminhos, perdas e ganhos - No local onde minha mãe reside, outras senhoras escolheram como morada.Como vou até lá diariamente, conheço todas as pensionistas que possuem os seus aposentos no mesmo andar que minha mãe habita. Nossos laços afetivos se apertam e afrouxam simultaneamente. Pois há uma maioria delas que são portadoras de Alzheimer e como tal, me cumprimentam como se todos os dias fosse a primeira vez. E eu, me comporto com atitudes que também fazem-nas pensar que me vêem pela primeira vez.A energia é sempre muito boa, levando-me a pensar que me encontro numa situação privilegiada, porque observo e presencio situações repletas de ternura e encantamento, nas quais aprendo lições que nenhuma literatura menciona, já que as mesmas derivam de relações inéditas e nem sempre repetidas.Sorrisos, solicitações diversas, acenos de mão, envio de beijos e despedidas delicadas, compõem o quadro de algumas ações que vivencio com frequência. Além disso, conto com as canções entoadas, que me reavivam lembranças felizes, as poesias declamadas por uma senhora para outra colega em dias de comemorações. Sem dúvida, são emoções que me tocam imensamente. Estes instantes me alimentam e renovam, sobretudo em períodos que me deparo com desafios desencadeados pelas pessoas que cuidam da minha mãe e que por questões pessoais se atritam, requerendo minha intervenção com o objetivo de esclarecer e dialogar a fim de garantir um cotidiano harmonioso para minha mãe amada. Portanto, benditas senhorinhas que me acalmam e impulsionam a seguir adiante! Um beijo no coração de cada um dos que caminham pelos meus caminhos. Vera Helena, sempre viva. 06/10/12
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Minha mãe: 89 anos de vida, algumas impressões - Dia 21 último, minha mãe completou 89 anos de vida. Atualmente, ela necessita do auxílio do outro para todas as atividades e necessidades diárias. A dependência é total. Limitações impostas dia a dia. Entretanto, sempre existe um caminho quando se tem boa vontade. Refiro-me à forma que celebramos o aniversário dela. Amigos disponíveis ao horário permitido no local onde ela vive, lá estiveram levando abraços e carinho. E do jeitinho dela, ela agradeceu a todos, inclusive àqueles que levaram uma lembrança materializada pela data. Os bisnetos se encarregaram de gerar gotas de alegria e estimular sorrisos e olhares para minha mãe, que os acompanhava nas atividades que desempenhavam. E com uma velinha acesa, simulamos um bolo e entoamos o parabéns para você. Um sentimento de ternura inundou o meu coração, quando percebi que, no som possível ela também cantou. Em seguida, notamos no seu semblante, os sinais de cansaço e exaustão, que entendemos e atendemos prontamente, conversando menos e diminuindo o tom das palavras que pronunciávamos. Aos poucos, nos retiramos a fim de que ela prosseguisse na rotina do lugar, da qual encontra-se plenamente adaptada.
No retorno para a minha casa, refleti sobre o tempo. E verifiquei que o meu conceito sobre o mesmo sofreu alterações profundas, pois o que menos me inquieta é a cronologia dos dias já vividos ou a serem experienciados. O que de fato importa é o tempo presente e os seus instantes nos quais nos relacionamos, que se fazem longos e intensos. Ganhos e percepções de quem alegremente se disponibiliza vivenciar! Escolhas perenes, inundadas de gratidão e bem querer. Beijos e até muito breve, com paz e bem. Vera Helena, sempre viva. 24/09/2012.
No retorno para a minha casa, refleti sobre o tempo. E verifiquei que o meu conceito sobre o mesmo sofreu alterações profundas, pois o que menos me inquieta é a cronologia dos dias já vividos ou a serem experienciados. O que de fato importa é o tempo presente e os seus instantes nos quais nos relacionamos, que se fazem longos e intensos. Ganhos e percepções de quem alegremente se disponibiliza vivenciar! Escolhas perenes, inundadas de gratidão e bem querer. Beijos e até muito breve, com paz e bem. Vera Helena, sempre viva. 24/09/2012.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Receita para um sorriso - Como tenho postado, a memória da minha mãe cada dia se aloja em fases correspondentes ao estágio e avanço da doença. Ultimamente, nossas conversas têm girado em torno da sua infância e de alguns personagens. Refiro-me especificamente à sua irmã caçula, a querida e saudosa Dorinha. Que para ela, encontra-se viva. Para que ela movimente a musculatura facial, falar é importante e essencial. Portanto, é sobre a Dorinha que conversamos. E o diálogo flui melhor quando o enunciado do mesmo é curto e objetivo, possibilitando a compreensão e resposta àquilo que eu relato ou pergunto. Por exemplo: Mãe, sabe quem ligou para a senhora hoje? E ela indaga: quem? Eu digo: a Dorinha! Sorrindo muito e demonstrando emoção, ela verbaliza: ah, aquela pequenininha, "tadinha"! Eu insisto: "tadinha" por que? Resposta: ela é tão novinha ainda...Prossigo: puxa mãe, eu me esqueci da idade dela! Ouço então: uns três ou quatro anos! Constato que, de maneira breve e objetiva, nos alegramos e atingimos o objetivo maior, ao lado de tantos outros que naturalmente vão surgindo.Receita de sucesso, com resultados benéficos para ela e para mim, que, de forma privilegiada, desfruto de um tempo precioso, inesquecível, principalmente pela leveza e sensação de bem estar que nos são proporcionados. Despeço-me dela, com alegria e vontade de aproveitar ao máximo o tempo que dispomos. Beijos carregados de gratidão e o desejo de colaborar com quem, diretamente ou não, caminha pelo mesmo caminho que eu. Vera Helena, sempre viva. 06/09/2012.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Quando o pouco é muito - Diariamente, subo a escada do local onde minha mãe reside a me questionar acerca do estado dela. A oscilação é constante e previsível em todos os sentidos. Nesses últimos dias, tenho me valido de algumas evocações pontuais no diálogo possível com minha mãe. Depois das saudações iniciais, percebo que ela se recolhe e se aquieta. E manter a oralidade é fator essencial, com ganhos diversos. É neste momento que recorro ao passado, que para minha mãe é o seu tempo presente, posto que constitui-se no repertório que possui e dispõe. Então eu digo para ela: mãe, sabe quem telefonou hoje para a senhora? E ela sempre indaga : quem? Respondo verbalizando o nome de uma ou duas das suas irmãs.Pois mais do que isso, ela não processa e nem retém no pouco tempo da sua capacidade de registrar e elaborar uma resposta lógica. Resposta esta constantemente verbalizada com palavras pertinentes à pergunta efetuada. Mais ainda: com expressão facial visivelmente alegre. No mesmo foco, elaboro mais uma ou duas questões curtas, que ela responde coerente e prazerosamente. Saio de lá com a certeza que nos mobilizamos positivamente, atitudes estas que, como bálsamo de ternura, me incentiva a prosseguir e prosseguir todos os dias, um pouquinho de cada vez e sempre! Deixo um abraço afetuoso para os meus parceiros de leitura, além da minha gratidão. Vera Helena, sempre viva. 28/08/2012.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Entre belas e surpreendentes surpresas - De fato, podemos acreditar que no exaurir das nossas forças, desafiadas até limites desconhecidos, surgem fatos que nos desbancam e deixam atônitos. Explicando melhor: tenho compartilhado passo a passo com meus amigos leitores sobre o caminho realizado com minha mãe, no enfrentamento diário com o Alzheimer e o Parkinson. A fase do momento tem sido mais leve, proveitosa e entendível, proporcionando um diálogo vigoroso dentro dos limites que possuímos. E nesse fluxo da vida, a data do aniversário da minha mãe se aproxima e com ela, potencializo indagações sobre o evento. Salvo um dia em que não se recordou, todos os outros, quando eu menciono não me lembrar de quem é o aniversário do dia 21 de setembro, ouço a seguinte resposta: é o meu! Reajo com atitude de surpresa e agradecimento por ter sido lembrada e afirmo que é preciso fazer um bolo. Ela acena positiva e alegremente, esbanjando um sorriso matreiro e feliz. Esboço dúvidas sobre o sabor do bolo: fubá, ou chocolate? Rapidamente, ouço a seguinte escolha: chocolate! Persisto questionando: com ou sem cobertura? Sem pestanejar ela me diz: com cobertura!
Então, me comprazo nestes intervalos que o processo da doença nos concede. Com alegria, ternura e uma certa inquietude, me preparo para um novo dia, sem certeza alguma mas com muita curiosidade, fonte geradora das minhas ações e cuidados filiais.Um alerta: nunca subestime as conexões neuronais de um portador de Alzheimer, pois as surpresas ocorridas no dia a dia, quebram certezas e todos pontos finais! Cautela, prudência e aceitação incessantes consistem na prática nossa de cada dia! Beijos e gratidão aos que me escutam e enxergam. Vera Helena, sempre viva. 13/08/ 2012.
Então, me comprazo nestes intervalos que o processo da doença nos concede. Com alegria, ternura e uma certa inquietude, me preparo para um novo dia, sem certeza alguma mas com muita curiosidade, fonte geradora das minhas ações e cuidados filiais.Um alerta: nunca subestime as conexões neuronais de um portador de Alzheimer, pois as surpresas ocorridas no dia a dia, quebram certezas e todos pontos finais! Cautela, prudência e aceitação incessantes consistem na prática nossa de cada dia! Beijos e gratidão aos que me escutam e enxergam. Vera Helena, sempre viva. 13/08/ 2012.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Entre ciclos: a vida! Os sintomas decorrentes das sequelas instaladas no quadro da minha mãe, se intensificaram nestes últimos 20 dias do mes de julho. Diante da baixa capacidade de movimentação, a tosse aumentou, a deglutição ficou mais comprometida e com isso, o ato de babar também se intensificou requerendo medidas e cuidados mais apurados. Afirmo que houve dias em que assisti minha mãe muito abatida, sem forças e vivacidade, levando-me a uma preocupação muito grande, acompanhada de uma fragilidade que, em aguns momentos, não conseguia me recuperar. O que surpreende, é a vida acontecendo na sua inexoralidade e surpresas desafiadoras ao nosso entendimento. Explicando: mesmo nos dias em que minha mãe não conseguia proferir nenhuma palavra, os seus olhos verdes moviam-se a me acompanhar, mostrando que embora sem falar, se fazia presente e em entendimento, com o movimento do olhar. Percebi que, mesmo com este silencio imposto pelas circunstâncias, era preciso comentar sobre o seu estado, longe dela; já que embora com o vocabulário diminuído significativamente, era preciso nos precavermos. Hoje, posso dizer que a minha intuição foi procedente, porque, com a sua melhora, as respostas curtas e breves sobre algumas questões dirigidas à ela, voltaram revelando coerência, a sinalizar para que assuntos relacionados ao estado do portador, devem e precisam ser realizados distante dele! Prudência sempre!
Mais uma vez, eu agradeço a fidelidade daqueles que me escutam e enxergam. Deixo um beijo, meu carinho e gratidão. Vera Helena, sempre viva! 1º/08/2012.
Mais uma vez, eu agradeço a fidelidade daqueles que me escutam e enxergam. Deixo um beijo, meu carinho e gratidão. Vera Helena, sempre viva! 1º/08/2012.
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