Quem sou eu

Meu nome é Vera Helena. Meu interesse e objetivo consiste em conversar e trocar impressões e experiências sobre Alzheimer. Minha mãe, (foto acima) é portadora desta patologia e acho importante que a troca exista no sentido de acrescentar conhecimentos e gerar espaços para desabafos entre cuidadores, assim como eu. Dentro do que me proponho oferecer, sinto - me capaz de abordar sobre cuidadores, suas relações com o portador e familiares e sobre o cotidiano que envolve a todos os implicados nessa causa. Para saber mais, em cada segmento há uma justificativa desenvolvida com o objetivo de ajudá-lo. Julgo oportuno mencionar que passado algum tempo, percebo que hoje possuo um trajeto impregnado de experiências diversas pois os desafios acontecem todos os dias. A necessidade de dialogar com pares aumenta a cada dia, pois há momentos em que a solidão e a impotência invadem minha vida! Que tal olharmos para este tema com mais proximidade e conversarmos sobre Alzheimer? Pensem nisso e sobre isso...

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O bom senso na lida de cada dia

O bom senso na lida de cada dia - O estado geral da minha mãe inspira cuidados e vigilância realizados em tempo integral. Decisões sobre os procedimentos adequados acontecem com frequência, levando-nos a fazer uso da criatividade e do bom senso. Uma situação vivida nesses dias ilustra essa afirmação. De vez em quando, minha mãe apresenta dificuldade para respirar, engolir e deglutir, promovendo uma tosse intensa e incessante. Com isso, o seu sono se interrompe a todo instante e sua rotina e qualidade de vida ficam comprometidas. E ele, o bom senso deve prevalecer com os recursos que dispomos. Algumas questões: fazer uso de um xarope mesmo que a tosse não se origine de nenhum quadro gripal ou das vias aéreas? Aspirar com todos os riscos que pode acarretar já que a possibilidade de ferir a região é grande? Entretanto, é preciso agir! Conversar com a geriatra me conforta e, de forma compartilhada, definimos os caminhos. Nesse caso, decidimos por um antitussígeno e aspirações pontuais. Assim, buscamos o que nos é possível num universo de práticas inviáveis, a fim de realizarmos o melhor para a minha mãe. Sem mais, eu me despeço com gratidão para os meus seguidores, sempre muito queridos e fiéis! Vera Helena, sempre viva. 08/08/2014.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Memória Equilibrista

Memória Equilibrista - Ontem, estive com minha mãe no início do anoitecer. Ela ressonava. Beijei-a várias vezes e ela se manteve do mesmo jeito. Depois de alguns minutos ela abriu os olhos e sorriu com o semblante de um recém - nascido, tamanha a inocência do seu gesto... Ternura e singeleza! Convidei-a para cantar no que ela acenou positivamente. A primeira música que veio à minha mente foi "O Bêbado e o Equilibrista", a sua música! Eu iniciava a frase e ela prosseguia ora cantando e noutras verbalizando a palavra a ser completada. Em meio a sorrisos e candura entoamos canções variadas, dentre elas " Índia ", da qual ela me disse que desconhecia, mas logo que a iniciamos, ela reagiu da mesma forma. Depois, rezamos e ela recordou-se das orações que realizamos a sorrir muito. Sempre indagando se eu podia continuar me vali de várias lembranças, todas evocadas como se fosse a primeira vez. Surpreendentemente, ela correspondeu a todas elas, inclusive se emocionando ao falar da sua irmã caçula, a sua pequenininha! Nesse cenário, o que mais me inquieta relaciona-se à música do bêbado e o equilibrista, na medida em que a mesma foi introduzida na sua vida, muito depois das lembranças que ainda se alojam na sua memória. Isso se contrapõe ao que lemos sobre a doença de Alzheimer, posto que há perda de muitas memórias que sucessivamente vão sendo apagadas... Na minha leiguice, penso que o significado desta melodia e letra pertencem a momentos emblemáticos da sua trajetória, por isso ainda mantido. Tal fato me alerta  para que todas as pessoas que dela se achegarem, evitem falar sobre assuntos relacionados ao seu estado e evolução, já que existe a possibilidade de ela nos ouvir, compreender e se angustiar. Também nós precisamos nos equilibrar nas nossas certezas e incertezas dos fazeres nossos de cada dia. Deixo um beijo para os meus fiéis seguidores. Com carinho e gratidão da Vera Helena, sempre viva. 28/07/14

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Dia a dia, passo a passo

Dia a dia, passo a passo eu vou - Quando não existe alteração mais significativa na rotina diária da minha mãe, afirmo aos que me indagam sobre ela que tudo vai bem. Os parâmetros oscilam e muitas vezes eu me equivoco nas decisões e caminhos a serem seguidos. Com cautela e muito silencio, observo os movimentos que interagem sucessivamente. No local onde ela vive, assisto a vida instalada de muitas formas e estágios nas senhoras que também escolheram aquele lugar como refúgio para as suas existências. Com algumas delas eu me distraio, dialogo e aprendo muito! A grande maioria gosta de conversar e por estes minutinhos de atenção que lhes devoto, ficam exageradamente agradecidas, talvez por carência penso eu ... Nesse caminhar, o tempo dispendido acontece na estrutura de apoio desenvolvida para minha mãe. Ou seja, administrar os fazeres das cuidadoras e de outros protagonistas que envolvem o entorno e o seu desdobramento que ocorre inexoravelmente. Uma situação se destaca nesse espiral: a minha solidão! Muitos dos meus companheiros de percurso têm se espalhado para outras paragens. Para isso, muitos argumentos têm sido utilizados, destacadamente, a insuportabilidade de assistirem a qualidade de vida da minha mãe, de fato, muito comprometida e ruim. Promover e disponibilizar os recursos possíveis tem sido a minha atitude. Que sem dúvida alguma retrata o meu ponto de vista sobre o ato de cuidar! Quanto ao restante, entendo que não me cabe decidir e muito menos entender, porque se aloja num campo que transcende o entendimento de conceitos filosóficos e espirituais. Na lousa da minha casa escrevo assim: dia a dia, passo a passo me faço, refaço, invento, reinvento e vou....Beijos e gratidão. Vera Helena, sempre viva. 09/07/14

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A generosidade no espelho.

A generosidade no espelho - Depois de trocada a sonda da minha mãe, a sua aparência mudou. Seu rosto já não denuncia um quadro de mal estar e desconforto. Interessante notar que, com um semblante mais  "normal" ficou mais fácil olhar para ela. Já não há tanta diferença para ser vista como sofrimento!
Teço essas observações de acordo com as afirmações que as senhoras do local onde minha mãe reside têm demonstrado. Verifico também mais leveza na aproximação e convívio diários! Verbalizam que era difícil pra elas assistir minha mãe com a sonda no nariz. Algumas delas referem-se à experiências pessoais semelhantes, na maioria das vezes bem dolorosas! Nesse contexto, percebo que assistir o quadro da minha mãe provoca nessas senhoras a possibilidade de tal procedimento acontecer com elas. E isso faz repulsa e compaixão simultaneamente! Instantes de reflexão sobre um cotidiano que deve e precisa ser reinventado e colorido para amenizar as telas descoradas da vida nossa de cada dia! Beijos no coração dos que se dispõem a me seguir. Vera Helena, sempre viva! 19/06/14.

domingo, 8 de junho de 2014

Mais, menos e mais ou menos.

Mais, menos e mais ou menos - Na evolução do quadro da doença da minha mãe, me vejo em situações extremas e noutras nem tanto, mas sempre muito desafiadoras! Muito atenta às  possibilidades que cada dia e momento me proporcionam, busco vislumbrar caminhos em que eu possa caminhar. Há dias em que me vejo sem parâmetros e sustentar esse vazio gera em mim muito desconforto! Em paralelo, eu me asseguro que, por diferentes e reais motivos, cada pessoa assume o rumo da sua vida e via de regra quando a doença se apresenta por um período longo, o que era novidade se transforma em algo comum, ou seja, como parte integrante de um cotidiano frenético e voraz. Diante disso se intensifica a minha individualidade, que somada à minha leiguice, me desgasta ainda mais. E, entre nuvens claras, acinzentadas e muito escuras eu faço as escolhas possíveis.Num universo de cuidadoras, médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogas e outros componentes dessa estrutura de uma micro empresa, me contorço e torço por atitudes e decisões assertivas. Um exemplo que ilustra essa reflexão refere-se à tosse da minha mãe, ora mais seca e noutras mais solta se arrastando por vários dias, quase há 1 mês. Com a troca da sonda naso pela gastro a mesma persistiu até hoje.Várias hipóteses sobre ela : irritação do local onde a antiga sonda se encontrava, "memória" desse local ainda presente, uma gripe se alojando, algo mais severo se instalando, excesso de zelo da minha parte? Cadê as palavras tão bem proferidas pela minha mãe sem o impeditivo da antiga sonda? O tempo de desfrutá-las e apreciá-las foi curto demais!Onde a melhora da qualidade da vida já tão comprometida da minha mãe? Recorro aos profissionais da equipe de apoio terapêutico para melhor compreender essas reações sem perder a noção da complexidade do caso que a cada dia se agrava mais. Entretanto, me vejo invadida por sensações de insegurança e desalento. Nas sombras das certezas e incertezas, apego e desapego, preciso ter comigo uma verdade a ser seguida: NÃO POSSO BRINCAR DE DEUS! A mim, me cabe realizar o que se encontra dentro da realidade, sem deter o curso natural da doença. Na busca de chão para meus pés, com tudo e com nada, eu manuseio a minha agenda que, com alegria e fé organizo e celebro a vida nos seus diferentes matizes e cores. Agradeço a escuta e espero ter conseguido me levar a cada um de vocês, meus fiéis seguidores. Vera Helena, sempre viva. 08/06/14

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Mão Única

Mão Única - A cada dia que passa entendo mais o pensamento e frase " Na vida, temos duas formas de promover crescimento: pela dor e pelo amor".
Ontem, vivi essas duas ações e por amor senti muita dor diante da irreversibilidade do momento e as decisões que o mesmo envolveu. Melhor dizendo: a sonda nasoenteral que minha mãe fazia uso foi retirada para dar lugar a uma outra colocada no estômago, na região do umbigo para exercer a mesma função. A sonda anterior tem um tempo de uso e o da minha mãe expirou requerendo a atual. O risco de problemas respiratórios aumentava a cada dia, não sobrando outra medida além desta. Fiquei muito angustiada, pois o estado da minha mãe é delicado e decidir o único caminho a ser percorrido foi difícil e sofrido. Já faz tempo que não disponho de alterativa B no que se refere à saúde da minha mãe. O rumo é um só, numa estrada de mão única, na qual preciso ir, avançar e prosseguir sempre... Me foi passado que o procedimento seria simples. Para tanto, alguns exames pré operatórios foram realizados, com resultados positivos, sem nenhum impeditivo. Nos deslocamos para o hospital em torno das 12 : 45 horas. Fiquei receosa quanto à anestesia geral, pelos riscos que  oferece. Em paralelo, uma sensação de tranquilidade invadiu-me durante o tempo todo, mantendo-me calma e serena. A cirurgia em si é muito rápida e minha mãe respondeu positivamente. No mesmo dia, à noite, nós retornamos ao local onde minha mãe vive. O apoio fornecido pelas equipes do traslado e hospital atuaram suficientemente! O momento demanda situações novas, nas quais muito aprendizado e amadurecimento já se fazem presentes!  Acomodamos minha mãe e retornei para minha casa vivenciando a sensação de ter superado mais uma etapa permeada de dor e amor! Sei que a vida me conduzirá à mares a serem navegados plenamente. Beijos e gratidão da Vera Helena, sempre viva! 22/05/2014.

sábado, 10 de maio de 2014

Dia das Mães: ela é a minha mãe!

Dia das Mães: ela é a minha mãe! - O tempo nos proporciona aceitação e persistência diante do cenário que vivemos. Principalmente pelas possibilidades que dispomos.No nosso caso ( minha mãe querida e eu ) sorvemos as gotas de vida que essa mesma vida nos oferece todos os dias. Buscando palavras e pensamentos sobre a data que se aproxima, encontrei um pensamento de autoria desconhecida cuja essência aborda sobre o coração de uma mãe. O mesmo me foi enviado há 2 anos por uma afilhada muito querida e importante na minha vida. O mesmo sinaliza para o seguinte: "Quando escolhemos ter filhos, optamos por permitir que nosso coração caminhe fora da gente." Hoje mais do que nunca, entendo esse caminho além da minha mãe, pois nos exemplos de vida dela eu me formatei e tento fazer por ela o que ela fez por mim. Isso é só e é tudo! Pouco e muito, compreendendo que menos pode ser mais dependendo da maneira como encaramos os desafios cotidianos que têm no aprendizado e no crescimento os resultados dessa percepção dolorida e positiva. Assistir o sofrimento, o declínio e a precária qualidade de vida daquela que me gerou me abate bastante, mas é preciso seguir e fazer o melhor ainda que só avistemos fragilidade e saídas tortuosas.
Hoje, me flagro repetindo condutas semelhantes às que comentava e pontuava na minha mãe. O trecho da música cantada por Belchior ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais atesta essa constatação. Com certeza, o coraçãozinho dela pulsa no meu e o meu nas atitudes dos meus filhos a serem perpetuadas pelos netos que amo imensa e intensamente. Exemplos perenes!
Como mencionei no início desse texto, aceitação e persistência me alimentam e fortalecem. E na plenitude dos exemplos maternos prossigo com os encontros possíveis ainda que ela não saiba que eu sou sua filha, mas  eu sei que ela é a MINHA MÃE! Beijos e gratidão pelos que nos acolhem. Vera Helena. 10/05/14.