O sorriso de uma criança : marcas de um percurso - Quando obtemos o diagnóstico de uma patologia, são muitas as pessoas que, imbuídas de boa vontade, compartilham suas percepções acerca da mesma. Muitas vezes essas percepções vêm traduzidas na forma de procedimentos e sugestões a serem efetuados no trajeto a ser percorrido. No caso da minha mãe, soube que o cérebro quando sadio, assemelha-se a um cacho de uvas robustas e firmes. E que, ao se deteriorar gradativamente pelo Alzheimer, transforma-se num cacho de uvas passas, sem conexões e sinapses, imprescindíveis às relações sociais. Marcou-me muito ouvir sobre a evolução do corpo e mente do portador, que, quando submetido e resistente a todas as fases da doença, retornava à posição fetal, tal como um recém nascido. No caminho desenvolvido até então, constato e vivencio essa situação. E nela, me emociono imensamente, dividida entre o instinto de preservação e o de desapego, em nome da qualidade de vida da minha mãe. Muita angústia me invade em determinados dias e momentos ... Tudo em nome do amor, pelo e para esse amor... Registro que já tenho assistido o sorriso de um bebê no ato de sorrir da minha mãe amada em resposta aos carinhos e toques que promovo para ela. Um sorriso puro, inocente, delicado e singelo! Confesso que me é dificultoso transcrever a emoção sentida nesses momentos. Coisa de pele e da química amorosa que existe entre mãe e filha, filha e mãe, pois há tempos nossos papéis tem se invertido! Na paz desse sorriso, me retiro solitária, alegre e triste, tudo junto e misturado! Mas com força e fé para prosseguir cuidando dela enquanto a vida sinalizar pela vida! Beijos e gratidão da Vera Helena, sempre viva, a formar o meu mosaico um pouquinho a cada dia e sempre. 06.01.2014.
Quem sou eu
- Conversando sobre Alzheimer
- Meu nome é Vera Helena. Meu interesse e objetivo consiste em conversar e trocar impressões e experiências sobre Alzheimer. Minha mãe, (foto acima) é portadora desta patologia e acho importante que a troca exista no sentido de acrescentar conhecimentos e gerar espaços para desabafos entre cuidadores, assim como eu. Dentro do que me proponho oferecer, sinto - me capaz de abordar sobre cuidadores, suas relações com o portador e familiares e sobre o cotidiano que envolve a todos os implicados nessa causa. Para saber mais, em cada segmento há uma justificativa desenvolvida com o objetivo de ajudá-lo. Julgo oportuno mencionar que passado algum tempo, percebo que hoje possuo um trajeto impregnado de experiências diversas pois os desafios acontecem todos os dias. A necessidade de dialogar com pares aumenta a cada dia, pois há momentos em que a solidão e a impotência invadem minha vida! Que tal olharmos para este tema com mais proximidade e conversarmos sobre Alzheimer? Pensem nisso e sobre isso...
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
domingo, 29 de dezembro de 2013
Nosso Natal.
Nosso Natal - Viver um dia de cada vez sem elaborar reflexões profundas sobre eventos de ordens e natureza diversas tem sido uma escolha saudável, proporcionando leveza no meu cotidiano. Discorrendo sobre o Natal vivenciado com minha mãe querida, adianto que os momentos que passamos juntas foram permeados de múltiplas emoções. Nesse dia ela estava bastante sonolenta, sem abrir muito os olhos e com certa dificuldade em responder nossas solicitações para, fotografando, registrar esses instantes. A maioria das idosas do lugar apresentavam-se bonitas, com suas melhores roupas, maquiadas e felizes diante do jantar festivo, realizado no corredor do local. O dia, estava agradável, com o sol a se despedir de um céu maravilhoso! Buscamos inserir minha mãe nesse cenário, no qual, dentro do possível, atingimos nossos objetivos. Minha filha caçula e eu nos emocionamos intensamente, sem conter nossas lágrimas diante do que vivenciamos. Minha alegria e paz interior aconteceram quando obtive beijos e sorrisos da minha mãe amada, demonstrados com serenidade e calma. Isso me tranquilizou para que a nossa despedida transcorresse num clima de paz e bem. A força e esperança constituem-se nos elementos essenciais para o convívio nosso de cada dia, amém! Beijos, saudações carinhosas e agradecidas da Vera Helena, sempre viva. 19.12.2013.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Aprender a fazer nos vazios da comunicação.
Aprender a fazer nos vazios da comunicação - O estado geral da minha mãe encontra-se numa piora contínua. Mais fragilidade, dependência e a notória ausência de escolhas saudáveis, pois o que temos são opções voltadas para rumos precários. Preservar e manter minimamente a qualidade de vida dela, constitui-se na preocupação essencial dos cuidadores, destacadamente a minha, posto que as decisões de procedimentos realizados incidem sobre mim. Dura e penosa tarefa, para a qual evoco as forças do alto a me iluminar e esclarecer na missão de filha responsável e cuidadora da minha mãe amada ... E como já mencionei, a fatia populacional idosa no Brasil aumenta claramente, como consequência de medidas desenvolvidas pelos órgãos públicos, merecendo destaque para essas ações positivas. Contudo, o diálogo entre instituições voltadas para a saúde e bem estar do idoso (a) se vê distanciado das reais necessidades desse idoso (a). Triste e avassaladora constatação! Exemplo disso refere-se a situações que tenho vivenciado por conta de medidas e providências efetuadas em decorrência do declínio da saúde da minha mãe. Que luta insana para operacionalizar prescrições da geriatra! Percurso marcado por uma comunicação aleijada, amadora, letárgica e ineficiente. Informações incompletas, exposição literal de egos sedentos de brilho, permeados pela impessoalidade, sem deixar rastro evidente a fim de eu me dirigir e reivindicar meus direitos frente à escancarada falta de transparência institucional. Nesse cenário, procuro amenizar minha ansiedade e sintomas físicos gerados pelo espinhoso e solitário percurso, compreender as limitações de todos nós e seguir adiante no papel e função de cidadã, folheando esse triste álbum que retrata o idoso ( a ) no nosso país! Com carinho e gratidão aos meus companheiros de blog. Vera Helena, sempre viva. 10.12.2013.
domingo, 24 de novembro de 2013
Envelhecimento: e quando o caminho não é saudável?
Envelhecimento : e quando o caminho não é saudável? Sabemos que em alguns países e no Brasil, o tema envelhecimento tem merecido destaque em vários meios de comunicação. Ouvimos muitas palavras de ordem, seguidas de algumas chamadas, tais como : SABEDORIA, MELHOR IDADE, EXPERIÊNCIA e EXEMPLO, dentre outras. Cada qual tem a sua essência e valor indubitavelmente! Entretanto, quando o indivíduo atravessa a linha do saudável para comprometimentos de diferentes natureza, o quadro que avistamos é de no mínimo, muita desolação. Tal consideração deriva do percurso que tenho realizado com minha mãe querida. Ausência de estruturas nas mais diferentes nuances tem sido uma constante. Segue-se a isso, o despreparo dos profissionais que atuam nesse campo do envelhecimento, na maioria das vezes dotados de boa vontade, mas com um amadorismo expressivo!Há uma burocracia enorme para a obtenção daquilo que se denomina como direito dos idosos! Que, se não tivermos uma dose absurda de paciência e perseverança, desistimos no meio do caminho. Sem contar que o fator tempo é um determinante significativo nesse processo e ele é escasso para uma grande maioria de pessoas que necessitam trabalhar para sobreviver. Por várias vezes me flagrei pensando: para onde me dirigir e para quem recorrer? Quase nunca encontro respostas para meus questionamentos! E nessa ausência dos mesmos, decido prosseguir sozinha, sem muitos ecos para minhas expectativas. Nesse processo, me deparo com " buracos" que tento saltar ou mesmo fingir que não os avisto, vivenciando situações que me convidam a desistir da minha luta! Mas, mesmo frustrada encaro essas vicissitudes como desafios que preciso enfrentar e prosseguir nos meus objetivos, dentre os quais pontuo para o cuidar da qualidade da vida tão fragilizada da minha mãe amada! Considero e insisto que há muito o que fazer para essa parcela da população brasileira num país no qual a expetativa de vida se intensifica e se direciona inexoravelmente para a velhice, que espero e desejo muito seja mais assistida e cuidada do que atualmente! Beijos e carinho para os meus seguidores. 24/11/13
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Tempo da Sonda: permanências e mudanças
Tempo da Sonda: permanências e mudanças - Há quase sete dias, minha mãe tem feito uso da sonda naso enteral para se alimentar. Tal ação decorre do fato dela apresentar dificuldade de deglutição, acarretando com isso um estado de desnutrição e desidratação constantes. Apresentou resistência a esse elemento estranho no seu organismo e lentamente tem se "adaptado" ao mesmo. Muitas reações tais como: retirada da sonda diante do desconforto gerado, seguida da sua reintrodução por um profissional específico, queda de pressão diária, ocasionada pela dieta ingerida, sem sal na sua composição.A ingesta de água de coco tem sido o recurso utilizado para amenizar a sonolência surgida. A respiração sofreu alterações, realizada mais pela boca, promovendo um ruído estranho. Em meio a toda uma estrutura diferente e nova, busco aprender e operacionalizar as exigências desta fase em meio a acertos e deslizes oriundos desse tempo de mudanças.
Nesse cenário, torna-se inegável afirmar que estamos enfrentando mais mudanças que permanências. E no caso dessas últimas, minha mãe tem resistido com bravura e força, ainda que com alterações , como no caso da perda de peso constante, surgimento das escaras, dentre outras que vamos driblando frente às possibilidades que dispomos. Mas, ainda recebo a resposta ao meu pedido de benção, com uma voz rouca e baixa, um sorriso diferente, pois as próteses dentárias foram retiradas ( estavam largas, promovendo ferimentos ), mas sempre o sorriso sereno da minha sempre mãe querida e cada dia mais amada. Atualmente, sinto minha mãe cada dia mais fragilizada e dependente de mim e das cuidadoras, constantemente investidas de muita boa vontade e dedicação. E a cada dia que nasce, vêm comigo a força e energia necessárias para os desafios que esse tempo espinhoso e fecundo tem reservado para o nosso crescimento e cumprimento das missões que nos foram delegadas. Beijos e gratidão aos queridos que escolhem caminhar pelos meus caminhos. Vera Helena, sempre viva. 14/11/13.
Assinar:
Postagens (Atom)